A noite foi maior que eu e levou-me outra vez por montes e vales de saudade de ti. Lágrimas rolaram ao contrário sem desenhar húmidos traços na minha pele. O soluço perdeu-se e o sono também. A minha janela confidente e psicóloga, residente das confissões que lhe conto espera-me…e eu, como sempre, abro-a de noite…e sinto que a cidade vive para além de mim…sinto um conforto imenso de saber que me esquece…que sou apenas mais uma feliz anónima para a cidade... e por vezes para ti também.
Voltei outra vez ao lado certo do copo meio cheiro e tento colorir o gelo com o toque dos meus lábios. A guitarra não me chama…também já é tarde para tocar...continuar a pensar em ti parece-me cansativo…pois força-me a reinventar emoções que já doeram mais do que hoje em dia. Talvez adormeça assim... levado por mim a terras do outro lado.