Hoje sinto-me só.
Tento não pensar nisso... Sento-me no chão de madeira do quarto, entre um móvel e outro, entalada entre dois instantes. Encolho-me no pequeno espaço, mais que o necessário, menos do que o desejável. Enrosco-me em mim mesma e, por um segundo, o tempo pára, nada muda, nada avança, nada existe. Não quero fingir ser quem não sou, por ter medo do que os outros pensam de mim. Pois se... Sou sincera, não devia porque os outros podem não gostar do que tenho a dizer. Devia ser cínica. Se desabafo, estou a ser lamechas e, pior, estou a aborrecer alguém. Devia guardar tudo o que sinto para mim, ninguém está para me ouvir. Se me liberto e brinco, devia ter juízo e não fazer figuras. Devia estar sempre séria. Se acredito nos outros é porque sou parva e ingénua. Não devia acreditar no que me dizem. Se sou uma sonhadora, está mal, tenho que acordar para a vida!
Quero ser eu mesma, não ter que esconder o que sinto, confiar nos outros, libertar-me e brincar. De que nos serve viver uma vida que não queremos recordar e esconder quem somos? Porquê esconder aquilo que queremos ser e fazer? Para mais tarde nos arrependermos? Acho que não vale a pena. Hoje sinto-me só, sinto-me fria, sinto-me confusa, mas hoje não me quero importar com isso.