Dadmi ♥
Chamo-me Daniela, tenho 18 anos e vivo em Portugal. Passei um mês na Alemanha para ver se conseguia fazer lá uma vida mas infelizmente tudo saiu furado. Sou solteira e desempregada, não estudo e tudo o que quero é um emprego!
-5-
quarta-feira, 1 de junho de 2011 | quarta-feira, junho 01, 2011 | 0 letters

Falas-me de amor mas perguntas-me a que horas abrem as minhas pernas. E eu respondo-te que sou como aquele barbeiro de província que tinha um papel sebento no vidro a dizer que abria a horas indeterminadas. Preciso de saber de ti, mais do que preciso de ti. Não aguento, sabes?! Não saber por onde andas, o que te move, a quem te dás e por onde te deixas. Imagino que por vezes te movas bambo, trémulo, por entre o desgosto, por entre o jacto e a euforia, mas nem disso tenho a certeza: suponho-te, quase tanto quanto te amo. Nos dias ímpares, duvido-te. Sei que por aí já se sente o degelo e que a Primavera amolece os corpos e tinge de turquesa o mar, embora pressinta que não repares nisso, ocupado que estás em amesquinhar as coisas. Dói-me o corpo e estranho-me, como se eu cravada em mim; és uma transfusão do tipo errado de sangue, ou do tipo de sangue certo mas a circular pelo avesso: entras-me por artérias e sais-me por veias, pirateando-me as intenções e deixando-me num desnorte de náufrago, porém centrífugo: em deixando, vou rapidamente ao fundo e a pique. Há um travo cómico-trágico na desmesura com que não estamos, uma dimensão teatral que polui a realidade. Já a culpa, essa, é uma luz acesa no meio da sala, que me incandesce e me cega. Há coisas que não te contei só porque não as quiseste saber, mas isto, ao menos, regista para memória futura: quando não estamos juntos, forças adversas aproveitam o eu estar sozinha para me acoitarem à covardia, no silêncio do dia que nasce, indiferente.

Etiquetas:


Older Post | Newer Post