Papi,
Não passei contigo o tempo suficiente, mas o tempo que
passei foi o necessário para chorar com a tua partida. Partiste muito cedo,
cedo demais, não me deste tempo para um último adeus, para um último abraço,
para um último “gosto muito de ti”. Não pude dizer um último e definitivo
adeus, não pude despedir-me de ti porque não me deste essa oportunidade. Ainda
me lembro daquele dia em que olhei para ti no corredor daquele horrendo
hospital e tu choraste assim que me viste. É triste ser uma das últimas
memórias que tenho de ti mas agora nenhum de nós pode mudar. Morreste e parte
de mim também! Já não me podias mimar, já não podias pegar em mim ao colo e
dizer-me “aqui está a minha princesa!“. Imagino que toda a gente ache que eu
nem quis saber, que a mim não me afectou, que eu nem me lembro de tal dia mas enganam-se!
Eu sofri com a tua partida como todos os outros possivelmente até mais. Digo
que sofri mesmo muito, como nunca tinha sofrido. Era muito frágil, era tão
pequenina e o mundo grande demais para mim. Gostava apenas de te ter aqui para
desabafar contigo tudo aquilo que me vai cá dentro, estejas onde estiveres…Eu
amo-te!